Arquivo

2016-01-31

Exposição de Lut Caenen em Ieper (Bélgica)

2016-01-30

Raphaelle Constant

Voici le lien de mon reportage à Lisbonne l’Africaine, il sera diffusé à 16h10 (heure de Paris) sur RFI, vous pourrez toujours réécouter le podcast par ici:

http://www.rfi.fr/emission/20160130-portugal-lisbonne-afrique-colonisation-esclavage-memoire

L’épisode 2 sera diffusé la semaine prochaine même heure, même adresse: 06/02/2016 à 16h10

2016-01-30

“Undi N bai, N papia kriolu – Seminário de reflexão sobre a importância da língua materna” orientado por Ana Josefa Cardoso para 42 colaboradores do Moinho

2016-01-24

Participação na organização do espetáculo “Le Cargo” de Faustin Linyekula, cujo trabalho está ligado às vivências coloniais e pós-coloniais.

2016-01-23

Participação do grupo de batuque Finka Pé no encontro de Musicoterapia em Estoril

2016-01-21

Troca de experiências com Myriam Campinos-Dubernet de AFPAD (Association pour la Formation, la Prévention et l’Accès au Droit) de Pierrefitte sur Seine (a pedido do ACM)

2016-01-20

Inauguração do “Cantinho da leitura” para as crianças do Jardim-de-infância, em homenagem a Walter Bless e Eduardo Pontes

2016-01-17

Participação do grupo de Batuque Finka Pé na Festa de Santo Amaro, em Oeiras.

2015-11-25

Visita ao bairro de Pedro Costa e Olivier Blanche

2015-11-16 até 26

Acompanhamento de Federico Evangelista, fotografo italiano, que está a fazer uma reportagem sobre a “Cova da Moura, um bairro para a história”

2015-11-14

Participação na reflexão sobre o significado das festas de Santo Amaro do concelho de Tarrafal, ilha de Santiago, no Auditório da Camara Municipal de Amadora

2015-11-13

Participação na Oficina na Faculdade de Arquitectura (Ajuda) intitulada “Is this a failure”, com reflexão a partir de Jacques Rancière. Em conjunto com Danny Wildemeersch, Professor de Ciências de Educação na Universidade de Leuven (Bélgica).

2015-11-03 até 08

Participação no intercâmbio com os jovens de Borgerhout (Bélgica) de “Jeugd en Stad”, que ofereceram uma bicicleta de padeiro transformada em “Estúdio”, gravaram as letras de RAP e de batuque e fizeram apresentações pelo bairro e na baixa lisboeta. Gerou-se uma sinergia muito forte.

2015-11-03

Finka Pé mostra a sua arte na Escola Superior de Educação de Beja.

2015-11-01

Participação na Festa de aniversário do Moinho, com a exposição “A silenciosa presença africana em Portugal” de João Ricardo Rodrigues

2015-10-29

Finka Pé participa no programa Pro-Bono no Museu da Eletricidade

2015-10-27

Flávio Almada introduz no DOC-LISBOA filme sobre a actuação da PSP

2015-10-24

O realizador Hiroatsu Suzuki visita o nosso bairro

2015-10-22

Finka Pé participa no programa da RTP-Africa: uma apresentação notável

2015-10-15

Participação no acolhimento da Marcha Mundial das Mulheres no Polidesportivo da Cova da Moura. Foi focado o problema dos recibos verdes das amas e as graves consequências das demolições em Santa Filomena para os moradores e, em especial, para as mulheres.

2015-10-13

Encontro na biblioteca “Ramos Rosa”, do Moinho da Juventude, com Laíze Guazina, da Universidade do Rio, Brasil e Michel Thiollent, Professor da Universidade do Grande Rio, Brasil

Michel Thiollent, sociólogo,  publicou livros sobre “Metodologia de pesquisa-ação e suas aplicações em áreas culturais”.

O Centro

Stanislas Tomkiewicz, TOM para os amigos, foi um pedopsiquiatra e psicoterapeuta reconhecido, internacionalmente que dedicou, toda a sua vida, às crianças e aos adolescentes em sofrimento psicológico e vítimas de injustiças e maus tratos.
Mostrando-se, sempre, em empatia solidária com o sofrimento psicológico das crianças e dos jovens, activo defensor e praticante da “atitude activa afectiva”, TOM transmitia, sempre, às crianças e jovens que tratava, a convicção de que eram dignas de ser amadas, oferecendo-lhes os meios para se fazerem amar.
Militando sempre pelo humanismo nas práticas terapêuticas destinadas às crianças e aos jovens em sofrimento psicológico e em risco, dedicou toda a sua vida a encontrar modos inovadores e eficazes na reeducação de adolescentes socialmente desadaptados e em risco social.
No Centro para Jovens em risco que coordenou em Paris, durante quase 30 anos e que se tornou numa referência internacional, Tom e os seus colaboradores, alicerçaram a sua prática clínica no objectivo de adaptar o adolescente a si próprio, como forma de o ajudar a reconciliar-se com a vida, oferecendo-lhe um quotidiano baseado na democracia, na liberdade, no voluntariado e em actividades como o cinema e a fotografia.
Tom tinha um olhar muito brilhante e matreiro, um rosto aberto e franco, um sorriso que nos acolhia sempre como bem-vindos. Sabia ouvir todas as vozes sem palavras e toda a música secreta e única que toda a pessoa tem dentro de si.
Nasceu na Polónia, numa família judia, sobreviveu ao gueto de Varsóvia, foi deportado para um campo de concentração e sobreviveu a uma longa tuberculose. Todas estas experiências despertaram nele a vontade de se dedicar à pediatria e à pedopsiquiatria.
“Trabalho com os adolescentes porque me roubaram a minha própria adolescência.”, costumava dizer quando recordava os seus anos de juventude passados dentro do gueto de Varsóvia.
Livre-pensador, foi um combatente incansável pela Convenção dos Direitos da Criança, lutando por tudo o que considerava ser um abuso de poder ou uma violência sobre as crianças e os jovens.
O essencial, para Tom, estava na verdade da pessoa, acreditando sempre na capacidade que toda a pessoa tem para se reconstruir e para utilizar as suas forças e a sua inteligência nessa reconstrução. A sua experiência pessoal, os seus conhecimentos profundos da pessoa humana, a sua largueza de horizontes, a sua coragem, levaram-no, sempre, a pôr a fasquia muito alta nos seus projectos e realizações.
Não suportava a mediocridade, a estupidez e a injustiça, lutando pela verdade e pela reconciliação.
Por isso, eu sei que o TOM gostaria muito deste bairro e de todo o trabalho do Moinho da Juventude. Penso que ficaria muito contente por saber que o seu nome estava ligado a este projecto do centro de documentação e que nos brindaria com a sua gargalhada franca e o seu “Genial, não acham?” e vos diria que o Moinho da Juventude é um bom exemplo da esperança que teve sempre de que a humanidade continua a saber encontrar soluções inéditas que sabem conciliar justiça social e liberdade individual.
E eu, Ana Vasconcelos, só me resta agradecer a todos vocês, terem aceitado a minha sugestão de dar o nome deste meu querido professor que tanto me ensinou a saber lidar com o sofrimento da alma das crianças e dos jovens.

[Ana Vasconcelos]

 

Centro Tomkiewicz = Um Think Tank
uma cisterna de ideias com regas acopladas

Perspectiva ideológica: as Traves Mestras e a Missão do Moinho na área da Formação

Textos de base:

> “O Centro Tomkiewicz”, um texto de Ana Vasconcelos (28-01-2006)
> “Acerca da Fragilidade do Desassossego”, um texto de Danny Wildemeersch (04-02-2010)
> Os efeitos do som transcultural e da Música na terapia, educação e construção da comunidade, um texto de Greet Wielemans (18-10-2012), uma revisitação duma arte proibida.

Desde a sua criação, nos anos ´80, a formação (em exercício) foi uma pedra preciosa na Associação Cultural Moinho da Juventude. Em 1998, o Moinho foi reconhecido oficialmente como Centro de Formação. As exigências a nível da organização da Formação cresceram de tal forma, que resta pouco tempo para a reflexão sobre o conteúdo da formação.
Decidiu-se por isso apostar na formalização de 2 equipas. A equipa ‘estrutura e organização’, que iniciou os seus trabalhos a 4 de Fevereiro de 2013, e o Centro Tomkiewicz, constituído em Janeiro de 2013.

 

Os Objectivos

O Centro Tomkiewicz propõe-se:

Reflectir sobre as actividades formativas organizadas pelo Moinho da Juventude:
– A avaliação da execução do Plano de Formação trienal do Moinho
– A formação Interna dos Colaboradores
– A formação de Formadores

Proporcionar consultadoria para acções de formação futuras, como é o caso de
– A elaboração do Plano de Formação trienal do Moinho
– A formação dos colaboradores
– As sessões anuais de formação e reflexão dos colaboradores da Associação Moinho da Juventude

Proporcionar consultadoria para estratégias e desenvolvimento de áreas de formação do Moinho:
– O trabalho em tandem, o perfil do Técnico da Experiência
– A Teoria de Interligação
– A metodologia: “Diagnosticar, Reflectir, Agir”
– A operacionalização das Traves Mestras
– A vinculação

Metodologia de trabalho

Procuramos um equilíbrio entre pesquisa, consultadoria e reflexão sobre Formação, com o objectivo de

1. Disponibilizar documentos do Moinho na área da Formação:
2. Valorizar os conhecimentos e as experiências existentes;
3. Trocar experiência, leitura, ler em conjunto;
4. Convidar pessoas para reflectir em conjunto connosco

 

Os colaboradores do Centro Tomkiewicz

Patrícia Dias, Lic. em R.H., secretária-geral da Direção, Coordenadora pedagógica e responsável pelos Recursos Humanos no Moinho da Juventude
Flávio Almada, Lic. Tradução e Escrita Criativa, vogal da Direcção e animador sócio-cultural do Moinho da Juventude
Júlia Carolino, antropóloga, investigadora do GESTUAL|CIAUD, Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa
Mariana Caldeira, psicóloga, colaboradora no projecto “O PULO” do Moinho da Juventude
Rita Domingos, psicóloga, colaboradora no GIP / Gabinete de Apoio ao Emprego e Empreendedorismo
Patricia Pelotte, educadora de infância, terapeuta em Experiência Somática
Lut Caenen, Mestre em Filosofia, coach
João Ricardo Rodrigues, Lic. em Fotografia e Cultura Visual, gestor, editor, criativo e autor
Lieve Meersschaert, psicóloga, moradora na Cova da Moura, coordenadora do Centro Tomkiewicz

 

 

 

 

 

 

 

 

Território e Comunidade – 1

Novas raízes na cidade: sociabilidades nas hortas urbanas de cabo-verdianos na Amadora. Pedro Varela, Lisboa: 2016

Kola San Jon – Património Cultural Imaterial com o Apoio da UA. Uma festa que mudou o destino de um bairro. Revista Linhas, Universidade de Aveiro, 2014, pp.48-9
link para o texto:  https://issuu.com/revistalinhas/docs/linhas_21_hight/1

Governance and urban requalification: the case of Cova da Moura, an illegal settlement in Greater Lisbon. Luisa Dornelas, Londres: 2007

Projecto de Qualificação da Entrada Sul do Bairro da Cova da Moura. Premiado no quadro da Trienal de Arquitectura e executado pela Associação Cultural Moinho da Juventude. Filipa Verol de Araújo et al, Lisboa: 2013

Sinergias e Redes

AUTOR: Godelieve Meersschaert

“Fui eu que o construí” diz o Luís, com muito orgulho, apontando para o Espaço Jovem do Moinho da Juventude. Tó Pinto, mestre-de-obras, lembra- se como, em meados dos anos ’90, o Luís “baldava-se” repetidas vezes nas sessões de formação que orientava no Moinho. Era um projecto onde 7 animadores participavam numa formação em contexto de trabalho, acompanhando cada um, o processo de desenvolvimento de dois jovens “pombos correio” de 14 – 15 anos, instrumentalizados por adultos para entregar de bicicleta os “pacotinhos de droga” nos arredores da Cova da Moura.
Em 2006, 10 anos mais tarde, uma antropóloga entrevistou os jovens “pombos”, entretanto adultos, que participavam neste curso: foi impressionante como este curso ainda para muitos, com caminhadas complicadas, significou uma luz – para alguns “a única” – na sua vida. Tanto as conversas sobre sexualidade, as interacções com os animadores e formadores, as aprendizagens do português e da matemática relacionadas com a construção do espaço são memórias que ficaram gravadas: Para alguns possibilitaram avanços na vida profissional e produzem um sorriso profundo ao lembrar.
A opção para a construção do Espaço Jovem, em conjunto com os animadores e os jovens, baseou-se numa reflexão sobre metodologias das aprendizagens (formalização de conhecimentos informais) e põe em prática a Teoria de Interligação que constitui o fundamento do trabalho do Moinho da Juventude.
A teoria de interligação é alicerçada numa filosofia ampla. Anouk Depuydt elaborou-a no seu doutoramento1 “Re-ligar” como resposta à “de-linq- uência”2: um ponto de partida para uma criminologia com ética, com uma abordagem sistémica e ecológica.
No Moinho optamos por reforçar as 5 ligações que são essenciais para todos nós e que significam, por isso mesmo, a prevenção fundamental da delinquência: a ligação com o próprio corpo e as emoções; a ligação com a cultura de origem (as nossas raízes); a ligação com a cultura dos outros; a ligação com os objectos, os equipamentos; a ligação com a natureza e o ciclo de vida.
Concretizamos este reforço dos laços nas valências do Moinho em conjunto com os pais, vizinhos e moradores:
Trabalhamos a caixa de emoções e a capacidade de exprimir o medo, a alegria, a tristeza, a raiva. Desde a creche são utilizadas as técnicas da massagem shantala. As sessões de ginástica, atletismo, basquete e dança promovem o bem-estar com o próprio corpo e o encontro com outros grupos de crianças/jovens e adultos.
As crianças da creche levam sementes para a horta, onde crescem uma oliveira, um dragoeiro, feijão congo, hortelã e outras tantas ervas aromáticas, flores, hortaliças, árvores. Fazem, em conjunto com os colaboradores, doce com os figos do quintal. Vão percebendo as estações, vão observando o ciclo de vida do bicho de seda, vão reflectindo sobre a vida e a morte.
O batuque Finka Pé e o Kola San Jon, expressões culturais proibidas no tempo colonial, conquistaram Carlos Saura3, seduziram Rui Simões a fazer um documentário4, procuram uma harmonia com o Tenchi Tessen (a arte do leque), no Dojo de Georges Stobbaerts e atam laços onde menos se espera.
Intercâmbios, as visitas SABURA5, festas e encontros proporcionam o encontro com outras culturas europeias e outros mundos. Residências, no nosso estúdio, de grupos Hip Hop de subúrbios de Lisboa produziram um CD com bastante qualidade. Realizou-se um encontro com um grupo de jovens de Toulouse e de Liège. Na avaliação surgiram bastantes pontos positivos, mas igualmente falhas no trabalho.
Colaborámos com a Trienal de Arquitectura. Acompanhámos grupos de finalistas de arquitectura do Norte, Centro e Sul de Portugal. Os seniores do bairro sentiram orgulho em explicar aos arquitectos, no Museu da Electricidade, como traçaram as ruas, como fizeram as lajes, num “djunta mo”6. Os jovens do “Bem Passa Ku Nos” visitaram a exposição e gostaram imenso: não conheciam o Museu da Electricidade, percorreram a história da nossa energia, apreciaram com muito interesse as maquetas do seu bairro.
Não obstante todos estes esforços para estabelecer laços e promover a sinergia, constatamos que a espiral da violência pode subir rapidamente. O fosso entre decisores e quem tem o poder é demasiado grande. Quem tem o poder tem dificuldade em partilhá-lo. Ou partilha somente decisões secundárias e de pouco importância.
Consciente do abismo que existe na sociedade e no crescimento deste abismo, apostamos no trabalho em tandem7 das pessoas que tiveram oportunidade de estudar a nível do ensino superior e das pessoas que viveram a experiência de pobreza/migração. A reflexão sobre a história de vida pessoal, o alargamento desta reflexão ao nível do grupo e a sua contextualização na sociedade, abrem os olhos para uma Cidadania Participativa. Desde os anos 80 que apostamos nesta sinergia para criar novos/outros níveis de encontro e procura. É um movimento que está a fervilhar nos Países Baixos, na Alemanha, na Bélgica, na Bulgária. Trabalhamos com 7 parceiros europeus, em conjunto, no Projecto Leonardo “The Missing Link”8
A Associação Moinho da Juventude faz parte da Comissão de Bairro, colaborou na redacção e subscreveu os documentos da Comissão de Bairro:
Enviamos, como Comissão de Bairro, em 20/01/2011 um e-mail à Câmara Municipal de Amadora, que continua sem resposta:
Na sequência da reunião de Acompanhamento efectuada no dia 25 de Novembro de 2010, e uma vez que, até ao momento, ainda não nos foi dada resposta à questão aí colocada relativa ao edifício que se encontra em construção nos terrenos da Santa Casa da Misericórdia da Amadora, vimos solicitar que nos esclareçam algo sobre o assunto.
Com efeito, este edifício está a ser construído dentro da área delimitada para a qualificação do Bairro Alto da Cova da Moura, na qual estão vedadas novas construções ou alterações das existentes.
Repetidas vezes tem sido a Comissão de Bairro abordada por moradores para saber dos motivos pelos quais não lhes é permitido fazer pequenas reparações às suas habitações, nomeadamente, colocação de telhados, não ampliando as suas casas, enquanto foi autorizada a construção de um edifício de raiz dentro da área delimitada.
Reforçando o já acima exposto salienta-se o caso de um parceiro da Comissão de Bairro, a quem não foi permitido a construção de um equipamento social de raiz, nomeadamente uma creche a qual seria uma mais-valia para as condições de bem-estar e educação das crianças, melhorando assim a qualidade de vida dos moradores.
Os técnicos do consórcio Vasco da Cunha/TIS estão a planear o Plano de Pormenor para a Cova da Moura desde 25 de Outubro de 2010. Nestes sete meses e meio apresentaram um levantamento muito incompleto dos equipamentos existentes no bairro; quiseram iniciar um Estudo sócio- económico dos moradores da Cova da Moura sem pedir licença à Comissão de Protecção de Dados; apresentaram uma proposta para a demolição de 61% das construções; estão a exceder todos os prazos que apresentaram, quando a duração mais curta foi o elemento decisivo para ganharem o concurso internacional.
Como moradores estamos muito preocupados com esta situação. A Comissão de Bairro apostou no consórcio criado pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, que com a sua experiência e conhecimento do bairro, poderia ter feito um Plano de Pormenor envolvendo os moradores no processo.
Pretendemos a qualificação do nosso bairro e nisto, apostamos em conjunto com as outras associações da Cova da Moura. Convidamos-vos a visitar o nosso bairro para descobrir a alma, o djunta mo, a vida destes moradores.
Para o receber, está aí, na entrada do nosso bairro, o Martin Luther King “eu tenho um sonho”.
Estou num lugar mágico de vida e sensibilidade.
Isto é que é Portugal. Um lugar mestiço. Faz-me lembrar as mantas de retalhos que minha mãe fazia.
A nossa sociedade é isto e não apenas aquele quotidiano das pessoas esmagadas e inexpressivas que vemos nos transportes públicos.
A festa também faz parte da vida e estas pessoas estão vivas. Isto é vida.
O humano é divino.”
António Ramos Rosa
28/1/2006
Inauguração do Centro de Formação da Ass. Cult. Moinho da Juventude Centro de documentação “Tomkiewicz”
Biblioteca “António Ramos Rosa”

Nós e os outros – Comunicação Não–Violenta na Associação Cultural Moinho da Juventude

AUTOR: Lut Caenen

Eu e o outro
O mundo em que vivemos parece duro. O mundo em que vivemos É duro, para ti, para mim, para ele, para ela. Quanta falta é que não sentimos? Falta de tudo: falta de meios para sobreviver, falta de respeito, falta de segurança, falta de saúde…. Quanta solidão é que não vivemos ou vemos à nossa volta? Às vezes o vazio grita dentro de nós, às vezes o vazio à nossa volta aperta-nos o coração e a garganta. Parecemos náufragos na nossa ilha deserta.
Pois, parecemos ilhas desertas, territórios isolados uns dos outros que nem por nós são povoados. Estamos ausentes de nós mesmos. Vivemos numa era de separação, de individualismo, de materialismo onde a nossa integridade física e moral, a nossa ligação com o outro e com a sociedade, a nossa sobrevivência no planeta estão em risco. O mal-estar que sentimos no nosso dia-a-dia reflete o desamparo que a humanidade sente perante os grandes desafios a nível planetário: os excessos do capitalismo financeiro, a crescente desigualdade social com a extrema pobreza de uns a contrastar com a gritante riqueza de outros, as ameaças ecológicas.
O surto de violência entre indivíduos, entre grupos sociais, a escalada da violência institucional são a expressão do mal-estar. Por seu lado, essas formas de violência aumentam o mal-estar. Violência nunca leva a nada a não ser à violência.
Uma mudança radical é precisa, urgentemente.

Comunicação não-violenta
Marshall Rosenberg, um psicólogo americano, desenvolveu um método de comunicação não–violenta. Essa forma de comunicação respeita quem fala e quem é ouvido profundamente, nas suas necessidades como ser humano.
Na base da violência está uma visão do outro como “o inimigo”. Numa dada altura da evolução da humanidade foi introduzido o modelo de oposição entre os seres humanos. Os que se consideravam “superiores” achavam que os outros, que não se regiam pelos mesmos valores, eram“inferiores”. Os que se consideravam como “certos” ou “bons” achavam que os outros estavam “errados” ou eram “maus”.
A linguagem que critica, que generaliza, que põe etiquetas nas pessoas é o reflexo desta imagem do “outro como inimigo” e traz, por isso, já as sementes da violência em si. É essa a linguagem à qual nos habituámos desde sempre.
Sair desta linguagem que nos corta da vida, é possível quando dirigimos a nossa atenção para as sensações e necessidades do ser humano que fala e ouve.
Marshall Rosenberg distingue os seguintes aspectos na comunicação não- violenta: observar o que se passa sem julgar, expressar as suas sensações e emoções, expressar as suas necessidades e pedir o que precisamos para que a vida se torne mais satisfactória.
Saber expressar-se com esta atitude e saber acolher o que o outro nos comunica e nos pede com esta mesma atitude de empatia, faz com que nos sintamos interligados, conectados. O estar “presente” a nós e aos outros dá-nos a sensação de “nós” a um nível humano muito profundo. É reestabelecida a ligação a nós, aos outros, à sociedade e a tudo o que nos rodeia. A união substitui a separação.

A comunicação não-violenta no Moinho da Juventude
No âmbito dum projecto CIG estão a decorrer duas iniciativas de comunicação não-violenta na Associação Cultural Moinho da Juventude.
A primeira iniciativa é uma série de encontros entre a PSP de Alfragide e moradores do bairro de Cova da Moura. Da parte da PSP participam a comandante, o sub-comandante, e dois agentes de proximidade. O bairro é representado por animadores do Moinho.
Nas sessões que estão a decorrer analisamos as formas de violência com que se confronta e a linguagem subjacente à violência. Implementamos a não-violência na comunicação saindo do esquema das acusações mútuas para ir para uma plataforma de entendimento.
No próximo dia 8 de Novembro decorrerá no âmbito da trienal de Arquitectura um workshop entre a PSP e os moradores do bairro de Cova da Moura com o título “Medos e outras ficções”.
A segunda iniciativa de comunicação não-violenta decorre com a Rede 8 de Março que junta diversas associações feministas.
O foco também aqui é o de substituir a imagem do “inimigo” pela inclusão. Ao desconstruir a linguagem automática de generalizações e de críticas (escondidas) tornamo-nos conscientes que o verdadeiro empowerment das mulheres, e de qualquer pessoa, se encontra na responsabilização pelo que dizemos e fazemos. Esta atitude para connosco e com os outros tira-nos de uma situação de poder SOBRE o outro para uma posição de poder COM os outros.
As sessões de trabalho culminarão num workshop de comunicação não- violenta no âmbito de um fim-de-semana dedicado ao combate à violência contra as mulheres nos dias 23 e 24 de Novembro.

Um outro mundo é possível, se a gente quiser
Há cada vez mais pensadores e cientistas que salientam a urgência de alterarmos o nosso comportamento para garantir a sobrevivência da humanidade no nosso planeta. Se não dermos um salto qualitativo a humanidade será confrontado com um cenário de caos e maior violência. O salto qualitativo é possível. Passa por uma transformação pessoal em que nos tornarmos responsáveis pelo que dizemos e pelo que fazemos e aplicar a mesma atitude de empatia e presença a todos os que nos rodeiam. Isto cria uma verdadeira sensação de união, de interligação connosco, com tudo e com todos.
Pois, a mensagem do Moinho da Juventude tem sido sempre: Um outro mundo é possível, se a gente quiser”!

Comunicação não violenta Método: Marshall Rosenberg

OS PRINCÍPIOS DA COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA

AUTOR: Lut Caenen

Quais são os princípios da comunicação eficaz, da comunicação que faz passar a mensagem de forma que o interlocutor se sinta respeitado e tem vontade de nos ajudar?
Um dos mestres da comunicação não violenta é o psicólogo Marshall Rosenberg. Nascido em Detroit num bairro pobre e particularmente violento, desde muito cedo se interessou pelas formas inteligentes de resolver os diferendos sem passar pela violência. Ensinou e praticou em todas as circunstâncias e em todas as regiões do mundo onde a gestão dos conflitos é indispensável, quer se trate de escolas de bairros desfavorecidos, de grandes empresas em restruturação, do Médio Oriente ou da África do Sul.
O primeiro princípio da comunicação não violenta é substituir todo e qualquer juízo – isto é, toda e qualquer crítica – por uma observação objectiva.
Em vez de dizer “o senhor deu mostras de incompetência”, ou até “este relatório não presta” – o que põe imediatamente a pessoa com quem estamos a falar na defensiva -, mais vale simplesmente ser objetivo e preciso: “Neste relatório, há três ideias que me parecem faltar para comunicar a nossa imagem.” Quanto mais se é preciso e objetivo, mais aquilo que se diz é interpretado pelo outro como uma tentativa legítima de comunicação e não como uma crítica potencial.
O segundo princípio é evitar qualquer juízo sobre o outro a fim de nos concentrarmos inteiramente naquilo que sentimos. É a chave mestra da comunicação emocional.
Se eu falar do que sinto, ninguém pode discutir comigo. Se eu disser: “Estás atrasado, mas que egoísta…”, o outro só pode responder torto à minha afirmação. Em contrapartida, se eu disser: “Tínhamos ficado de nos encontrar às oito e são oito e meia. É a segunda vez este mês; quando isto acontece, sinto-me frustrada e às vezes até um pouco humilhada”, ele não poderá pôr em causa os meus sentimentos. Estes pertencem-me totalmente!
O esforço consiste em descrever a situação com frases que comecem por “eu” em vez de “tu” ou em vez de “o senhor ou a senhora”. Ao falar de mim, e só de mim, já não estou a criticar o meu interlocutor, não o ataco, estou no campo da emoção e por conseguinte no campo da autenticidade e da abertura. Se souber fazer as coisas e se for verdadeiramente honesto comigo próprio, serei até capaz de me tornar vulnerável indicando-lhe como ele me magoou. Vulnerável porque lhe terei desvendado uma das minhas fraquezas. Mas, a maior parte das vezes, é justamente esta candura que vai desarmar o adversário e dar-lhe vontade de cooperar – na medida em que também ele deseja preservar a nossa relação.
Segundo Rosenberg, é ainda mais eficaz não só dizer o que se sente, mas também dar a conhecer ao outro a esperança partilhada que foi desiludida.
“Quando chegas atrasado, quando tínhamos combinado ir ao cinema, sinto-me frustrada porque gosto de ver o princípio do filme. Para mim é importante ver o filme todo.” Ou ainda: “Quando não telefonas durante uma semana, tenho medo de que te tenha acontecido alguma coisa. Preciso saber se está tudo bem.” Ou no contexto do trabalho:”Quando pões a circular um documento com erros de ortografia, fico um pouco embaraçado porque é a minha imagem que está em causa e é toda a equipa que é afetada. A questão da imagem e da reputação é muito importante para mim, sobretudo depois do trabalho que tivemos para que nos respeitassem.”
Por fim formulamos o pedido de ação que satisfaça as nossas necessidades/esperanças. É o pedido daquilo que gostaríamos obter da parte dos outros para tornar a vida, de todos, mais satisfatória. O pedido deve ser formulado de uma maneira positiva, clara e concreta. Quem faz um pedido concreto e claro, tem mais hipótese de conseguir obter o desejado. É preciso lembrar-se que formular um pedido não é fazer uma exigência.
O objetivo da comunicação não violenta não é de mudar as outras pessoas ou o seu comportamento conforme os nossos desejos mas de estabelecer uma relação baseada em honestidade e empatia que acabará por satisfazer as necessidades de cada um.

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Texto baseado em:
David Servan-Schreiber; Curar, pág 207-209
Marshall Rosenberg, Nonviolent Communication, pág. 67-85

Bibliografia:
Marshall Rosenberg; Nonviolent communication. A language of life, Puddle Dancer Press, Encinitas, 2003, 2nd edition
David Servan-Schreiber, Curar o stress, a ansiedade e a depressão sem medicamentos nem psicanálise, Leya, SA, Lisboa, 2012, 3a edição

A “Ficha da comunicação não violenta”

A ficha tem a seguinte sigla: “OLA-CEE”. Estas iniciais resumem os seis pontos-chave de uma abordagem não violenta que vos dá mais hipóteses de obterem o que desejam, quer seja em vossa casa, no emprego, com a polícia, e até com o mecânico da garagem. Vejamos o que significam estas iniciais:
O para Origem. Em primeiro lugar, é preciso ter a certeza de que estamos de facto a dirigir-nos à pessoa que constitui a origem do problema e de que ela dispõe dos meios para resolvê-lo. Por mais que isso pareça evidente, em geral não costuma ser este o nosso primeiro reflexo. Se um colega meu me diz uma coisa desagradável diante de toda a equipa a propósito do meu trabalho, não serve de nada queixar-me depois aos meus colegas ou à minha mãe pelo telefone – apesar de ser aquilo que mais me apetece fazer. Para ganhar o seu respeito e alterar o seu comportamento, é com o meu colega que devo falar. E eu sou a única pessoa a poder fazê-lo. É claro que é muito mais difícil e não me apetece; mas é a única maneira de ser eficaz. É preciso a pessoa dirigir-se à fonte do problema.
L para LUGAR e MOMENTO. É preciso que a discussão decorra num sítio (num “Lugar”) protegido e privado, num momento propício. Geralmente não é boa ideia enfrentar o agressor, mesmo que a nossa queixa não seja violenta, nem em público nem no corredor. Também não se deve ter essa conversa imediatamente, “a quente”, nem quando ele se encontra numa situação de stress. É sempre preferível escolher um local onde se possa falar calmamente e certificar-se da disponibilidade daquele ou daquela a quem dirige a palavra.
A para ABORDAGEM AMIGÁVEL. Para sermos ouvidos, precisamos primeiro de ter a certeza de que vamos ser ouvidos. É preciso tentar pôr o interlocutor à vontade logo nas primeiras palavras, abrir-lhe os ouvidos em vez de lhos fechar.
Ora sabem qual é a palavra mais agradável para começar uma conversa? É o nome da pessoa a quem nos dirigimos. O seu nome: essa palavra, mais do que qualquer outra, parece feita de propósito para atrair a sua atenção. Portanto, seja o que for que tenha a dizer a quem o ofendeu, comece por trata-lo pelo nome, e a seguir diga qualquer coisa simpática, desde que seja verdade. Nem sempre é fácil, mas é importante. Das primeiras vezes, a coisa até nos arranha um pouco a garganta. Porém, vale a pena. A porta da comunicação está agora aberta.
C para COMPORTAMENTO OBJECTIVO. A seguir, é preciso entrar no cerne da questão: referir o comportamento que motiva o nosso descontentamento, limitando- nos a uma descrição do que se passou e mais nada, sem a mínima alusão a um juízo moral que poderíamos fazer. É preciso dizer “Quando fez isto”, e mais nada. Não se deve dizer: “Quando se comportou como um maluco”, mas sim “Quando insistiu para eu sair consigo às tantas da madrugada.”
E para EMOÇÃO. A descrição dos factos deve ser imediatamente seguida da emoção sentida. Nesse momento, é preciso não cair na ratoeira de falar da nossa fúria, que é muitas vezes a emoção mais manifesta: “Quando disse diante de toda a gente que o meu vestido era ridículo (comportamento objetivo), conseguiu irritar-me”, porque a cólera é já uma emoção virada para o outro e não expressão de um ferimento íntimo. É muito mais forte e eficaz falar de si próprio: “Senti-me magoada”, ou “Considerei isso uma humilhação”.
E para ESPERANÇA DESILUDIDA. Poderíamos ficar pela expressão de uma emoção, mas é ainda mais vantajoso prosseguir mencionando a esperança desiludida, ou a necessidade que sentimos e que não foi satisfeita. “Preciso de me sentir segura no emprego, de saber que não serei humilhada nem ferida com comentários cáusticos, especialmente vindos de alguém tão importante como o senhor.” Ou, se se tratar do nosso cônjuge que nos ignorou durante um jantar em casa de amigos: “Preciso de me sentir ligada a ti, de sentir que sou importante para ti, mesmo quando estamos com amigos.”
Conclusão:
Só existem três maneiras de reagir numa situação de conflito: a passividade (ou a passividade-agressividade), a reação mais corrente e menos satisfatória; a agressividade, que também não é verdadeiramente eficaz e é muitíssimo mais perigoso; ou então a “assertividade”, isto é, a comunicação emocional não violenta. É a nós que compete, de todas as vezes, escolher. É a nós que compete aceitar, ou não, o desafio emocional.

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Texto adaptado de: David Servan-Schreiber; Curar, pág 207-213

Bibliografia:
Marshall Rosenberg; Nonviolent communication. A language of life, Puddle Dancer Press, Encinitas, 2003, 2nd edition
David Servan-Schreiber, Curar o stress, a ansiedade e a depressão sem medicamentos nem psicanálise, Leya, SA, Lisboa, 2012, 3a edição

MARSHALL B. ROSENBERG
FOCAR A NOSSA ATENÇÃO NO QUE SE PASSA NOS OUTROS E NO QUE ELES PEDEM

(… ) Quando aprendemos a focar a nossa atenção nas sensações e nas necessidades expressas pelas mensagens dos outros, paramos de receber [essas mensagens] como sendo críticas, ataques, insultos ou julgamentos. O que anteriormente poderia ter sido concebido como tal, passa a ser entendido como a expressão do sofrimento e das necessidades não satisfeitos da outra pessoa.
Podemos receber os quatro passos do processo [de Comunicação Não-Violenta] ao repetir o que ouvimos a outra pessoa dizer e verificando com ela a exactidão da nossa paráfrase. Esse feedback informa a [outra pessoa] sobre a maneira como nós interpretámos a sua mensagem e dá-lhe a ocasião de corrigir-nos no caso de nos termos enganado.
Podemos também fazer perguntas complementares para assegurar-nos de que compreendemos o nosso interlocutor exactamente da maneira como ele o desejava.
a) Podem ser perguntas acerca do que ele está a observar: “ A tua reacção tem a ver com o número de vezes que eu saí na semana passada?”;
b) Podem ser perguntas acerca do que ele sente e das necessidades que estão na origem dessas sensações: “Estás sentido porque terias querido maior apreciação pelo teu esforço?”;
c) Podem ser perguntas sobre o pedido dele: ”Queres que eu te diga mais sobre as razões que me levaram a dizer o que disse?”
Fazendo estas perguntas, adivinhamos em primeiro lugar e em seguida verificamos. Repare na diferença entre este tipo de perguntas e a pergunta na qual simplesmente pedimos informações, como por exemplo: “Estás a referir-te a quê?”, “ Como te sentes?”, “Porque pensas isso?”, “O que queres que eu faça?”.
Ao praticar a Comunicação Não-Violenta devemos também ser receptivos aos pedidos relacionados com as sensações e as necessidades do outro. Imagine por exemplo que um amigo esteja muito em baixo por não ter sido aceite no novo emprego que tanto queria. Manifestamos a nossa empatia pelo desânimo dele e sentimos que ele está à espera de outra coisa, além da nossa empatia. Podemos então verificar o que ele deseja através de uma pergunta deste género: “Queres que te informe sobre outros empregos que eventualmente te poderiam interessar?”, ou “Lamento que não tenhas sido aceite neste emprego. Há alguma coisa que eu poderia dizer ou fazer que te ajudaria nesta situação?”

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Marshall B. Rosenberg, La Communication Non Violente au quotidien, Éditions Jouvence, 2003.
Tradução para português: Lut Caenen

Coaching no contexto do trabalho comunitário

AUTOR: Lut Caenen

“Be the change you want to see in the world” (Mahatma Gandhi)
Com o apoio da CIG e do Governo Civil foi desenvolvido o projecto-piloto “Cidadania participativa – do local para o global e do global para o local”1 pela Associação Cultural Moinho da Juventude no bairro da Cova da Moura.
No âmbito deste projecto foi iniciado um ciclo de coaching de “Agentes de Interligação” para a prevenção da violência doméstica que rentabiliza o “trabalho em tandem2” do profissional em conjunto com @ técnic@ da experiência3 nas intervenções em situações de violência doméstica.
Este primeiro ciclo decorreu no próprio bairro da Cova da Moura entre Novembro de 2011 e Abril de 2012. Participaram dois tandens, ambos compostos por uma profissional e um técnico da experiência, sendo o último num caso uma mulher e no outro um homem. A coach teve apoio de uma técnica da experiência que facilitou a integração da coach no contexto do trabalho d@s “Agentes de Interligação”. Alguns dos temas explicitamente focados foram o do género, da violência (doméstica) e do recurso ao portfólio como meio de auto-reflexão.
Uma pessoa, que faz a experiência da auto-reflexão e do desenvolvimento de um maior potencial seu, tem maior capacidade e disponibilidade para compreender a história da vida das outras pessoas e para acompanhá-las no seu processo de desenvolvimento. Cresce a consciência social da profunda interligação que une todas as pessoas.
Através de um diálogo interactivo que tem uma função de empowerment, os participantes percebem que é possível operar uma transformação interior, alargando assim a sua visão do mundo.
Neste processo de transformação é revisto o conceito do gender. O masculino e o feminino são papéis que podem ser integrados numa totalidade que ultrapassa a dualidade. Tal como o Oriente o concebe, há complementaridade entre os princípios de Yin e de Yang.
Também se debruça sobre o tema da violência, doméstica e outra. Trabalha-se sobretudo com a ressonância de situações de violência exterior com a violência interior que vive em cada um. É essa a violência “passiva” que traz em si a origem de todas as explosões de violência.
Este aspecto mostra a amplitude da interligação entre todas as pessoas. Todas as pessoas têm nelas, nem que seja em potência, todos os aspectos e características da realidade observada no exterior. Tal como a ciência actual o prova: tudo e todos estão profundamente conectados.
Isto apela para um grande sentido de responsabilidade. Cada um é responsável pelo todo e tem de começar por si próprio. A atitude de cada um é implicada em qualquer intervenção social.

Resultados
O ciclo de coaching pode revelar-se parte integrante de um projecto de grande alcance em que o acompanhamento de vários tandens de “Agentes de Interligação” permite criar uma rede activa na prevenção da violência doméstica. Alem disso apoia os tandens na sua própria intervenção com os moradores em casos declarados de violência doméstica e contribui para o melhoramento da relação interpessoal dentro dos tandens.
A auto-descoberta proporcionada pelo coaching representa um “empowerment” dos próprios técnicos, sobretudo em situações de stress, e uma maior disponibilidade para lidar com as pessoas.
Sensibilizaram-se pelos vários tipos de violência e a ressonância entre a violência exterior e interior. Melhoraram a qualidade da sua intervenção.
Foi sobretudo em casos de violência (doméstica) que foi experienciado o tema do género. Em geral é o homem que exerce violência física. Os tandens eram essencialmente femininos e as coachees aperceberam-se do papel do género na sua própria reacção à violência e sobretudo aos agressores. Entrando em contacto consigo própri@s a um nível mais profundo, perceberam que o masculino e o feminino são complementares e a violência não é o apanágio de uns em detrimento dos outros.
A tomada de consciência da interligação, de todos os seres humanos, alertou para a capacidade e a responsabilidade de todos.
A elaboração de um portfólio foi encarada como um meio de auto-reflexão eficaz para @s própri@s técnic@s e também para certos grupos de pessoas com quem trabalham.

Conclusão
Através do processo de coaching dirigido a pessoas que têm uma intervenção na sociedade vai-se a pouco e pouco aumentar a consciência de todos. O trabalho interior abre para uma maior interligação com toda a comunidade e aumenta a disponibilidade para interagir de uma maneira mais livre e mais respeitosa para o bem de todos.

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1 POPH – 9.7.3
2 Trabalho em tandem = trabalho em complementariedade. Um tandem é uma bicicleta com 2 lugares.
3 Técnicos de experiência formados em exclusão social são pessoas que experimentaram pessoalmente a exclusão, que conseguiram lidar com essa experiência e que assim estenderam-na para uma experiência mais alargada sobre a exclusão. Adquiriram atitudes, capacidades e conhecimento através da sua formação de modo a utilizar a sua experiência de exclusão profissionalmente em qualquer área de luta contra a exclusão.

3 de fevereiro 2016

Quem é que está a utilizar a jovem jornalista Carolina Resende Matos para fazer na TVI as reportagens sobre Celé e sobre o agente Ireneu, pelo qual os moradores do bairro da Cova da Moura, em conjunto com a PSP, fizeram uma Marcha da Paz, facto que não foi referido na respetiva reportagem?
A reportagem sobre Celé, transmitida dias antes do espetáculo do artista residente em Lisboa, Faustin Linyekula atuar no polidesportivo da Cova da Moura, refere-se a factos de 2002. A reportagem do agente Irineu refere-se a factos de 2005.
Quem tem necessidade de emitir agora estas reportagens?
Porque é que a jornalista, ou os colegas, não fizeram uma reportagem sobre a homenagem prestada a Walter Bless – o agricultor suíço de 87 anos, pensionista, que ao longo de 12 anos consecutivos trabalhou durante 1 mês no Moinho da Juventude lado a lado com os jovens na construção do CATL e do Estúdio, dando à noite a sua voltinha no bairro, confraternizando com os adultos e jovens – e ao açoriano Eduardo Pontes? No dia 20 de janeiro as crianças e jovens do bairro construíram em sua memória um cantinho de leitura.
Será que a leitura não é importante? Será que as crianças não são o futuro?

30 de janeiro de 2016

A Câmara Municipal da Amadora recusou ao Teatro Maria Matos a utilização das instalações da Escola Básica da Cova da Moura, para que Faustin Linyekula iniciasse a sua residência artística em Lisboa com uma actuação no nosso bairro.
Como recusar o acesso a um edifício público, localizado no coração do bairro, construído e mantido com dinheiro dos contribuintes? Trata-se, além do mais, de uma escola onde, numa Festa do Kola San Jon, os alunos festejaram a possibilidade de ali ver acolhidos e valorizados os saberes dos seus pais.
A apresentação do solo ‘Le Cargo’ na Cova da Moura teve lugar no dia 24 de janeiro de 2016 pelas 16 horas, nas instalações do polidesportivo.